Arquivo de mamãe-felícia

de volta!

Tanto poder argumentativo, tanta doçura e esperteza, tantos “porquês”, e a casa aqui vazia, sem uma atualização qualquer. Não dá. Não pode.

Daí que eu devo ter perdido o hábito, né. Por ora, ficamos com um artigo do pai-marido-jornalista-blogueiro-palpiteiro preferido da praça lá de casa (leia aqui).

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Saiba: bons filmes ou livros infantis costumam arrebatar tanto ou mais que muitos marmanjos tarimbados de cannes ou sundance, viu, filha?!
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árvores

A caminho de casa ela me presenteia: angico, mangueira, bougainville. Toma para si um pinheiro, uma faveira, outra árvore derrubada pela chuva. E conta mais.

– Mamai, minha ávole é cheeeeeeeeeeia de fôles. Tem fô rosa, amalela, fô verde, tem azul, tem… CINZA, mamai, sabia que tem CINZA?!!

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=)

Pra você, flor querida:

As Árvores (Arnaldo Antunes)

As árvores são fáceis de achar
Ficam plantadas no chão
Mamam do sol pelas folhas

E pela terra
Também bebem água
Cantam no vento

E recebem a chuva de galhos abertos
Há as que dão frutas
E as que dão frutos

As de copa larga
E as que habitam esquilos
As que chovem depois da chuva

As cabeludas, as mais jovens mudas
As árvores ficam paradas
Uma a uma enfileiradas

Na alameda
Crescem pra cima como as pessoas
Mas nunca se deitam

O céu aceitam
Crescem como as pessoas
Mas não são soltas nos passos

São maiores, mas
Ocupam menos espaço

Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor.

filha de pica-pau

Hoje de manhã no carro, a caminho da escola:

– mamai, compa uma tisolinha de pástico pa mim, cooooooompa?

[Pausa pra observação: as suas frases que começam com “Compra pra mim…” são sempre cantadas, uma entonação peculiar e exclusiva (um tom consumista pero-no-mui sério) numa estrutura fixa. Só muda o nome do objeto de desejo.]

– pra que uma tesoura, filha?

– pra cortar a ávole.

– cortar a árvore?? Mas por que?

– puquê ela é toda bunitinha.

– …

*porpurina*

– eu adolo lupulina, mamai!

– eu também, filha!

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(quanto tempo, ahn!?)

pros ouvidos e alma

A música sempre teve papel importante na minha vida. É ela quem define as várias fases e ciclos (pra quem tem uma memória de mosca como eu, é necessário esse subterfúgio), define tribos, é alegoria àquela viagem, àquele encontro, àquela tristeza ou êxtase. Está em tudo, enfim. E não seria diferente quando da sua chegada, claro.

Durante a gestação foram MPBabies a rodo. Todo o cuidado era pouco, afinal, um ser em pleno potencial estava se formando e nós éramos responsáveis por proporcionar as primeiras boas sensações! O pai, tomando a parte da responsabilidade que lhe cabia, tratou de providenciar música clássica da melhor qualidade (afinal, era a praia dele). De tudo que ele trouxe dos sebos, o que me agradava mais era Bach e Grieg. E Mozart. Tá, Beethoven também.

Já fora da barriga, Dora, como eu e todo mundo, teve [tem e terá] suas fases pontuadas por músicas. No início era gostoso porque somos nós quem definimos, certo? Ao mesmo tempo ela já demonstrava preferências e insatisfações. O que por sua vez, também era muito gostoso, como descrito lindamente aqui. Bach, chill out (hello, estamos em 2009!), chill out para bebês, também. Música do vovô, Cartola, Palavra Cantada, Marisa Monte e batucada afro, o negócio sempre foi sortido.

Depois é a chegada do Bebê Mais e Cocoricó, do Barney e Backyardigans, e um novo panorama se apresenta com mais cores e nuances e, invariavelmente, ela não mais se submeteria somente ao nosso gosto musical.

Eu desconfiava, mas é ainda mais gostoso e encantador! Percebê-la cantando [gritando] junto a “música da bailarina“, e eu rindo enquanto dirijo e olho sua cantoria pelo espelho retrovisor. Sua relação de amor-e-medo com a tal “música da bruxa“. Até um gosto excêntrico claramente influenciado pelo pai, através das ditas “músicas rápidas“. Voltando aos pliès, tem também a música do “príncipe com a bailarina”, a “música da sereia”. Mas o mais especial (por ser um disco fantástico e por ele a ter tocado assim) é “a princesa e o sapo”. Aliás, enquanto o sapo canta ou toca flauta (é o trompete do Louis), a princesa dança, sabia?

Ela sabe. E nos contou. =)

ella-louis

update

– ó o sacico pelelê, mamai!

saci

– agola desenha a bela amolecida

bela amolecida


=D

sobre reinos e pães de queijo

Vamos comprar o pão de queijo das seis na padaria, como fazemos habitualmente depois do horário da escola:

– vamo, desce do carro, princesa mais linda da mãe! (#compulsivepaparication)
– eu nun sô pincesa! 
– (…)
– ah não? quem você é, então?
– sou banca de neve.

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Ainda na padaria:

– cadê as picesas?
(sempre que não sei o que responder ou mesmo para saber como entrar na ‘viagem’, retruco com a mesma pergunta. tem funcionado até o momento.)
– cadê, filha, as princesas?
– magabust sbrubbles blus nominmichastki (sem tecla SAP) … olola!
– opa, a Lola… princesa Lola?
– naummm, Ololaaaaa, O-lo-la! (impaciente, obviamente, depois de ouvir a pergunta umas 3 vezes)
– aaaaaaaaaaaaahhhh, Aurora! princesa Aurora, é?
– é. amiga da banca de neve!

🙂