Arquivo para história da carochinha

dicionário

a brincadeira da vez pós-almoço. chega com a fala pequena junto ao ouvido e aponta para a estante de livros:

– sabe… eu quelo saber palavras!

=)

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filha de pica-pau

Hoje de manhã no carro, a caminho da escola:

– mamai, compa uma tisolinha de pástico pa mim, cooooooompa?

[Pausa pra observação: as suas frases que começam com “Compra pra mim…” são sempre cantadas, uma entonação peculiar e exclusiva (um tom consumista pero-no-mui sério) numa estrutura fixa. Só muda o nome do objeto de desejo.]

– pra que uma tesoura, filha?

– pra cortar a ávole.

– cortar a árvore?? Mas por que?

– puquê ela é toda bunitinha.

– …

pros ouvidos e alma

A música sempre teve papel importante na minha vida. É ela quem define as várias fases e ciclos (pra quem tem uma memória de mosca como eu, é necessário esse subterfúgio), define tribos, é alegoria àquela viagem, àquele encontro, àquela tristeza ou êxtase. Está em tudo, enfim. E não seria diferente quando da sua chegada, claro.

Durante a gestação foram MPBabies a rodo. Todo o cuidado era pouco, afinal, um ser em pleno potencial estava se formando e nós éramos responsáveis por proporcionar as primeiras boas sensações! O pai, tomando a parte da responsabilidade que lhe cabia, tratou de providenciar música clássica da melhor qualidade (afinal, era a praia dele). De tudo que ele trouxe dos sebos, o que me agradava mais era Bach e Grieg. E Mozart. Tá, Beethoven também.

Já fora da barriga, Dora, como eu e todo mundo, teve [tem e terá] suas fases pontuadas por músicas. No início era gostoso porque somos nós quem definimos, certo? Ao mesmo tempo ela já demonstrava preferências e insatisfações. O que por sua vez, também era muito gostoso, como descrito lindamente aqui. Bach, chill out (hello, estamos em 2009!), chill out para bebês, também. Música do vovô, Cartola, Palavra Cantada, Marisa Monte e batucada afro, o negócio sempre foi sortido.

Depois é a chegada do Bebê Mais e Cocoricó, do Barney e Backyardigans, e um novo panorama se apresenta com mais cores e nuances e, invariavelmente, ela não mais se submeteria somente ao nosso gosto musical.

Eu desconfiava, mas é ainda mais gostoso e encantador! Percebê-la cantando [gritando] junto a “música da bailarina“, e eu rindo enquanto dirijo e olho sua cantoria pelo espelho retrovisor. Sua relação de amor-e-medo com a tal “música da bruxa“. Até um gosto excêntrico claramente influenciado pelo pai, através das ditas “músicas rápidas“. Voltando aos pliès, tem também a música do “príncipe com a bailarina”, a “música da sereia”. Mas o mais especial (por ser um disco fantástico e por ele a ter tocado assim) é “a princesa e o sapo”. Aliás, enquanto o sapo canta ou toca flauta (é o trompete do Louis), a princesa dança, sabia?

Ela sabe. E nos contou. =)

ella-louis

repeat mode

A peleja da vez é pesquisar / encontrar / baixar / gravar um CD de músicas pra ela. O tema: bailarina. Afinal, por mais *legal* que seja a música, ninguém aguenta ouvir ad eternum no carro:

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem…

* mas que é uma delícia ouvi-la cantar junto, isso é! *

sobre reinos e pães de queijo

Vamos comprar o pão de queijo das seis na padaria, como fazemos habitualmente depois do horário da escola:

– vamo, desce do carro, princesa mais linda da mãe! (#compulsivepaparication)
– eu nun sô pincesa! 
– (…)
– ah não? quem você é, então?
– sou banca de neve.

. . .

Ainda na padaria:

– cadê as picesas?
(sempre que não sei o que responder ou mesmo para saber como entrar na ‘viagem’, retruco com a mesma pergunta. tem funcionado até o momento.)
– cadê, filha, as princesas?
– magabust sbrubbles blus nominmichastki (sem tecla SAP) … olola!
– opa, a Lola… princesa Lola?
– naummm, Ololaaaaa, O-lo-la! (impaciente, obviamente, depois de ouvir a pergunta umas 3 vezes)
– aaaaaaaaaaaaahhhh, Aurora! princesa Aurora, é?
– é. amiga da banca de neve!

🙂

#MJ

Você ainda não sabe, filha, mas esse cara revolucionou o mundo da música. Ele ainda criou uma dancinha bem divertida, a gente uma hora dessas tenta fazer juntas, tá!?

1) Do início
2) Das boas
3) Divisor de águas
4) Mais uma
5) E tantas outras, também.

dia de médico

Ontem não teve conversa!
Okay, teve. Um papo desinteressante entre adultos que não interferia em nada na bricadeira. Agora, depois que começou com a história do vem-cá-pro-tio-saber-o-quanto-você-cresceu ou então deixa-o-tio-colocar-a-fitinha-na-cabeça, ou pior ainda: senta-na-balancinha-pra-gente-brincar-de-ver-o-peso, aí a anjinha sulphur mostrou a que veio!

– Mamãe teve que subir à balança, sulphinha no colo.
– Seu perímetro cefálico é uma hipótese vaga.
– Sua altura foi aferida em milésimos de segundos.

Com tantos erros amostrais nesse experimento, a constatação de sua boa saúde se deu num “ah, ela tá ótima, olha quanta vivacidade?!”.

Ps1: Sabe, filha, é que mamãe não gosta muito de ser pesada… não bastaram 9 meses e 20 horas de trabalho de parto, %$@#$???
Ps2: Sulphur = homeopatia = remédio de fundo = bolinhas gostchosinhas